Apesar da morte
pesar,
as trepadeiras insistem
num serpentear sobre
os muros, as tardes
estão menos alcalinas,
e o tanque onde em
crianças nos banhávamos segue o
seu percurso só, de
musgos e ausências de
corpos humanos.
Sabes, as figueiras
estarão repletas de
figos por alturas do
estio e as flores
multiplicam-se numa
explosão de fragrâncias
e cores. Os dedos vão
insistindo nisto das
sílabas e ocorre-me
como pode a vastidão
do mar conter-se numa
única sílaba. Escrevo-te,
mesmo sabendo que
não lerás estas linhas.
Deixei o portão velho e
repleto de ferrugem,
aberto, para um
qualquer vento que o
enlace. Os jarros estão
frondosos e no outro
dia fiz mousse de lima,
que tanto apreciavas.
Os gatos são agora
uma multidão pacífica
dormindo aqui e acolá.
Os versos
do Gamoneda são
intensos focos
luminosos de
escuridão. Majestosos
e ímpares. Vou
deixando pequenas
ausências aqui e ali. Tu,
sabes como verter da
água o sal, sabes os
meus mais recônditos
gestos. O sol é então a
união entre o sacro e
profano. A sombra
conhece o caminho do
meu corpo, até o
abandonar por inteiro.
Fui ao poço retirar
água e voltei com os
olhos repletos de
lágrimas. Amanhã
talvez não chova e
possamos assistir com
maior impacto à
multiplicação das
giestas. Por ora tudo
me sabe a urze
e palavras desconexas,
como estas que te
dedico.
Leonora Rosado
as trepadeiras insistem
num serpentear sobre
os muros, as tardes
estão menos alcalinas,
e o tanque onde em
crianças nos banhávamos segue o
seu percurso só, de
musgos e ausências de
corpos humanos.
Sabes, as figueiras
estarão repletas de
figos por alturas do
estio e as flores
multiplicam-se numa
explosão de fragrâncias
e cores. Os dedos vão
insistindo nisto das
sílabas e ocorre-me
como pode a vastidão
do mar conter-se numa
única sílaba. Escrevo-te,
mesmo sabendo que
não lerás estas linhas.
Deixei o portão velho e
repleto de ferrugem,
aberto, para um
qualquer vento que o
enlace. Os jarros estão
frondosos e no outro
dia fiz mousse de lima,
que tanto apreciavas.
Os gatos são agora
uma multidão pacífica
dormindo aqui e acolá.
Os versos
do Gamoneda são
intensos focos
luminosos de
escuridão. Majestosos
e ímpares. Vou
deixando pequenas
ausências aqui e ali. Tu,
sabes como verter da
água o sal, sabes os
meus mais recônditos
gestos. O sol é então a
união entre o sacro e
profano. A sombra
conhece o caminho do
meu corpo, até o
abandonar por inteiro.
Fui ao poço retirar
água e voltei com os
olhos repletos de
lágrimas. Amanhã
talvez não chova e
possamos assistir com
maior impacto à
multiplicação das
giestas. Por ora tudo
me sabe a urze
e palavras desconexas,
como estas que te
dedico.
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