Estou cego. Horas sem sombra, assobios de pastores, balidos, deve ser o meio dia dos mortos. Mas, apesar de tudo, se o corpo queimado arredasse todos os animais estelares - esse pano cerzido com fios de luz, onde avisto o estremecimento da gazela em teu peito - fingiria a morte.
Penso em ti. Bebo. Fumo, mantenho-me atento, absorto - aqui sentado, junto à janela fechada.
Recolho o mel, guardo a alegria, e digo-te baixinho: apaga as estrelas, vem dormir comigo no esplendor da noite do mundo que nos foge.
Al Berto
Lunário
São Pedro de Moel
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