Lisboa de novo
tanto me
libertei da rédea curta
dos laços
e dos afectos
das pedras,
esses rios
traiçoeiros onde
enlouquecemos
devagar, como
quem sonha
auroras
nas frias
grutas da noite.
Assim, durante
muito tempo,
eu via-te
à distância,
longe da orla
vermelha
Do coração.
Mais tarde,
fruto dos barcos
encalhados no
gelo e de anjos
de vidro partidos
nas pedras,
eu conheci o
calor ameno dos
teus umbrais,
e as
possibilidades das tuas
ruas íngremes,
nos domínios
obscuros do mar.
É certo que os
búzios de granito
massacravam
os meus ouvidos
com o
monótono
refrão de
intempéries,
e um punhal de
sangue
ameaçava-me as
manhãs com a
chantagem de
um remorso,
ou o rasto
indelével de um
queixume;
todavia, hoje
desço pelos
cabelos do rio,
pela fronte
branca da tua noite,
como se uma
névoa de cristal
amanhecesse
na minha face
um longo distante.
Fernando de Castro Branco
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