Tal como sonhar
aconchegado
pelo musgo
à porta
das grutas
durante o Outono,
dormir junto do teu peito
é descobrir a humidade
das palavras
que são espelhos.
Depois dessa conquista,
a profundidade
e os abraços inadiáveis
tornam-se irrelevantes.
Conquistado o ciclo lunar
da respiração
(essa lindíssima e prolongada
deriva),
volto a poder meditar
na entrada das cavernas
que me levam 
ao teu mundo:
um aquário
povoado por algas-aplauso,
transatlânticos de prata naufragados
e tudo o que pode existir
submerso
perante a eminência 
de uma tempestade.

José Marques

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