Há homens a abrir as mãos como livros
Superfícies intensas sem ruído - as nascentes
No rochedo liso, no deserto imprevisto
É quente o silêncio. É quieto de uma claridade
Atenta. Eles o abrem - o orvalho
E nem sempre o atravessa o lume
É sempre de manhã que se abrem as correntes
Abrem os escritos sem abrir os lábios
Eles sussurram sobre os ouvidos
Do homem que fala sozinho
Nem sempre abrem a porta de quem está em sua casa
Nem a ferida que se cura com o tempo
Abrem uma fonte e um lugar à frente. Cada afluente
E o seu leito. Abrem
Os anzóis profundos dos sinais

Daniel Faria

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