Ouço o teu pranto.


Subo aos quartos onde a sombra pesa nas madeixas

imóveis, mas tu não estás: estão apenas os lençóis que

envolveram os teus sonhos.


Tudo em mim é já desaparição?

Ainda não. Para além do silêncio,

ouço de novo o teu pranto.


Que estranha se pôs a existência:

tu sorris no passado

e eu sei que vivo porque te ouço chorar.


Antonio Gamoneda



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