perdura

na luz

esta viagem metafísica e concreta

 

o festejo do tempo

somado a dias matemáticos

 

a nitidez trilhada

e o abismo no coração

 

à distância

do fósforo aceso
que sussurra trinta
 
os lugares de sempre

cheios, vazios

e, claro, mais copos na mesa

a sombra entrecolhida

da abundância

e do alimento

o desabrochar

convencido de nova estação

a mesma planície

 

forte, destemida
a certeza

que se senta

no banco de jardim

de uma vez só

 

entre sorrisos largos

e desenganos.

a têmpora que embranquece

e a ruga de se fazer endurecida

que torna a veia intermitente

o horizonte maior

 
uma pequena raiva

que não caibam na algibeira

todas as memórias

 

todos os vestidos de amor

as transcendências

de qualquer medida.

 

ora os mitos de calendário

ora os segundos

do nascimento

 

a tradição

de me amarem e ser menina

não ter idade o apelo que perscruta

a mulher onde cheguei, meu deus.


nuno travanca


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