Se o vento uivasse
e da sua voz
escorressem os cascos
das abelhas mais velhas
enquanto os zangões ficavam
nas colmeias a discorrer
velozmente.
 
Se o vento uivassse 
e na perplexidade 
da cidade-esfera
da roupa peluda
fossem absorvidas
faíscas polínicas
enquanto de antemão
os olhos marejados dos
chefes políticos
se crucificassem a si mesmos
como grandes picaretas picaretas
numa oficina congelada
pelo Inverno à beira rio.
 
Se o vento uivasse
e cerca de sintomas
mais limões que laranjas
se votasse a um miradouro
burlesco de carne
se ele uivasse vezes incontáveis
expondo tudo por cavernas
milagrosas
e depois nos levasse com ele...
 
Então estaríamos mais propostos
ao abismo da linhagem
articulada que há nos astros:
seríamos Luteros honrados
pelo castelo que nos espera
sem lá chegarmos


Maria Khepri


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